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Afinal, tecido sintético ou natural?

Muito se fala sobre sustentabilidade, mas afinal como podemos contribuir como consumidoras de moda que amam uma novidade? 
Quando você vai às compras, precisa de um vestido novo para uma festa, um look para o trabalho ou reunião de negócios, geralmente se preocupa com a estética, cores, preço e se te cai bem...esses são os elementos básicos iniciais para definir o que comprar. Mas também existem outras questões envolvidas que tem peso na hora da decisão final, como por exemplo: se a marca é conhecida, se você se identifica com sua filosofia, se é sustentável, o tipo do tecido...sim! O tipo do tecido é, por muitas vezes, um fator decisivo na hora da compra da peça ideal. Mas aí tem a questão...tecido natural ou sintético? Qual dura mais? Qual é mais sustentável? 

Plantação de algodão

 

De forma simplificada, temos as fibras naturais e químicas (sintéticas): Durante muito tempo usou-se apenas fibras naturais, derivadas das vegetais e animais, até que a necessidade do homem o fez criar as fibras químicas produzidas em laboratórios. 
Para entender as diferenças entre fibras naturais e químicas, veja o esquema abaixo:

Então, quando compramos uma camiseta de algodão, que é de origem natural, estamos sendo sustentáveis? Não é bem assim. Uma camiseta de algodão, consome por volta de 160 gramas de agrotóxicos, uma certa quantidade de energia, causa danos ao solo, à água e possivelmente aos trabalhadores que fazem a colheita. Parece pouco, mas imaginem quantas camisetas tem por aí…
Existem muitas fibras extraídas de diferentes fontes como mostrado no diagrama acima, mas as mais conhecidas entre as consumidoras são: algodão, linho, seda, lã, viscose, náilon, poliéster e elastano. Vou falar nesse artigo especificamente do algodão e poliéster que são as mais comuns em nosso dia a dia. 
Algumas clientes me perguntam, melhor comprar roupa de tecido natural ou sintético? Depende: não é uma pergunta simples de ser respondida, infelizmente. Às vezes você opta por comprar uma camiseta de algodão porque é de fibra natural vegetal que, teoricamente, não prejudica o meio ambiente, foi plantada e cultivada, não derrubou árvore, mas para a sua produção, foi necessária a utilização de agrotóxicos, energia (provavelmente não foi usada energia limpa, etc) e mão de obra, sabe-se lá em que condições esse trabalhador fez a colheita. Portanto, quando a gente pensa que está sendo sustentável ao comprar uma roupa de tecido natural, precisa pensar de novo, porque engloba questões muito além do tipo do tecido. 
O algodão é uma das fibras têxteis mais antigas e a principal do mundo (data de 3.200 a.C, segundo algumas pesquisas) e sabemos que hoje já existe o algodão orgânico, que é produzido sem agrotóxicos e pesticidas, diminui os danos causados ao solo, ao meio ambiente e ao ser humano. Na produção do algodão orgânico, existe a redução do consumo de água, redução da emissão de gases e diminuição de consumo de energia. Também há a necessidade da contratação de mais trabalhadores (ervas daninhas são retiradas manualmente), porque leva-se em consideração o trabalho justo (uma das bases da sustentabilidade). Tá aí uma explicação porque a roupa feita de forma sustentável eleva seu valor em todos os aspectos. 
Infelizmente, o Brasil não está entre os 5 maiores produtores de algodão orgânico (embora um dos maiores produtores de algodão convencional), são eles:  Índia, China, Turquia, Tanzânia e EUA. Mas entendo que já melhoramos muito nossa percepção com relação à necessidade de introduzir alternativas sustentáveis na indústria da moda.

Túnica de algodão usada por padres durante as preces, século XVIII-XIX, Museu Têxtil do Egito
Então, é melhor comprar uma camiseta de poliéster?  As fibras químicas vieram de uma necessidade: confeccionar vestuário com mais rapidez a baixo custo de produção. Criado durante a Segunda Guerra, em 1941 pelos britânicos John Rex Whinfield e James Tennant Dickson,  juntamente com os inventores W.K Birtwhistle e C.G Ritchiethey, o primeiro poliéster chamado de terylene, teve a ajuda da Imperial Chemical Industries (ICI).
O “conhecido” poliéster hoje, é obtido do petróleo ou do carvão mineral, ou seja, fontes de energia não renováveis e que causam danos ao meio ambiente no seu processo de extração. É considerada a mais barata das fibras.

Floco de fibra de poliéster
A maioria das fibras de poliéster é termoplástica, ou seja, um tipo de plástico sintético que pode ser aquecido sem que suas propriedades químicas mudem. Isto é ótimo para a reciclagem. A reciclagem de garrafas PET para a produção de tecidos de poliéster traz inúmeras vantagens, como a não utilização do petróleo, diminuição de 70% do gasto de energia com relação ao que seria necessário para a produção de uma fibra virgem, além de evitar o descarte no meio ambiente. Infelizmente ser sustentável acaba elevando o custo da fibra de poliéster também: uma fibra de poliéster reciclada é cerca de 20% mais cara do que uma virgem, além de possuir menor qualidade.

Imagem que representa os 3Rs, reduzir, reciclar e reutilizar

 

A produção de poliéster utiliza grandes quantidades de água para resfriamento, uma boa quantidade de químicos nocivos, como lubrificantes, que podem se tornar fontes de contaminação se não forem realizados os devidos cuidados, além de grandes quantidades de energia. O poliéster não é biodegradável, podendo levar até 400 anos para se decompor na natureza. Portanto é importante RECICLAR!

De acordo com a definição do Ministério do Meio Ambiente, reciclagem é um conjunto de técnicas de reaproveitamento de materiais descartados, reintroduzindo-os no ciclo produtivo. De todo lixo produzido no Brasil, 30% tem potencial para ser reciclado, porém apenas 3% deste total é efetivamente reciclado. Muito pouco!
Talvez tenha feito mais confusão na cabeça de vocês, mas é importante entender o  que estão comprando e, não é para entrar em desespero a ponto de não conseguir comprar mais nada porque não será sustentável, a questão é : comprar o que, de quem, saber como foi produzido e fazer a sua parte: conservar para que dure mais, doar, reciclar.
Para saber mais: 
BERLIM, Lilian. Moda e Sustentabilidade: Uma reflexão necessária, Edição das Letras e Cores, São Paulo - 2012.
PEZZOLO, Dinah Bueno. TECIDOS: História, trama, tipos e usos, Editora Senac, São Paulo, 2013.



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