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Alguns dos grandes nomes da Moda - Parte 1

Hello!
Farei esse artigo em partes, são muitos os grandes estilistas, mas falarei um pouco dos que admiro e considero mais importantes.

 

Charles Frederick Worth (1825-1895). 
Foi um aristocrata inglês que vestia pessoas da alta sociedade, realeza e “celebridades da época”. Quando jovem, trabalhou como balconista para comerciantes de têxteis. Era um frequentador assíduo de museus para estudar retratos e consequentemente as muitas variedades de roupas retratadas nas pinturas.
Mudou-se para Paris em 1845, conseguiu trabalho e se tornou o principal vendedor da maison Gagelin  & Opigez, conhecida pelos xales de seda, onde acabou abrindo um pequeno departamento de costura. Ali começou a ter destaque e, em 1958 abriu sua própria empresa.

Charles Frederic Worth, 1885
Worth juntou seu talento com o cenário favorável da França na época: Napoleão III (1808-1873), o imperador (e último monarca da França), introduziu muitas mudanças que tinham como objetivo revitalizar e modernizar o país. Tudo isso exigia da realeza muitos compromissos com trajes luxuosos, para diferentes ocasiões do dia  e noite. Tamanha ostentação só havia sido vista, até então, na antiga corte de Maria Antonieta. Seu sucesso foi tão significativo que conseguiu ser o costureiro da Imperatriz Eugénie. 

A última imperatriz dos franceses, por volta de 1856 - foto: Gustave Le Gray

 

Imperatriz Eugenie, Retrato por Franz Xaver Winterhalter, 1853

 

Worth foi um dos primeiros a apresentar suas criações em modelos vivos, sabia se autopromover, seu nome aparecia com frequência nas revistas de moda da época e acabou ficando conhecido como o pai da alta costura não só no continente europeu: a aristocracia americana atravessava o oceano para comprar enxovais inteiros com roupas feitas por Worth. Sua maison ficou conhecida como “The House of Worth” e seu império continuou até alguns bons anos após sua morte em 1895, comandado por seus filhos e sucessores até 1952, ano em que seu bisneto resolveu aposentar-se dos negócios da família, fechando definitivamente a maison.

 

House of Worth, 1896 - vestido de casamento 

 

Paul Poiret (1879-1944)

Conhecido na América como “Rei da Moda” e em Paris como “Le Magnifique” destacou-se por seu orientalismo, suas criações eram exageradas, com uma linguagem teatral e consideradas exóticas.

Paul Poiret, além do seu talento para criação, era um bom “marketeiro”
Em 1891 começou a trabalhar para Jacques Doucet, um dos mais importantes costureiros de Paris na época. Teve grande influência dos figurinos de Leon Bakst (pintor, cenógrafo, ilustrador que colaborou para a companhia de Sergei Diaghilev, Ballet Russes), mas sua criatividade permitiu ousar em cores vivas, abusando do estilo voltado ao orientalismo.
Em 1901, Poiret ingressou na “House of Worth” e seu trabalho consistia em desenhar modelos básicos, chamados por Gaston, filho de Frederick Worth de “batatas fritas” para acompanhar o prato principal. Sim! Uma grosseria!
Curiosidade: certa vez, Poiret desenhou uma peça relativamente simples para uma cliente de Worth, a princesa russa Bariatinsky, A peça era uma espécie de kimono e teve uma péssima aceitação da princesa: comparou a sacos que eram colocadas cabeças cortadas de sujeitos que importunavam seus passeios de trenó. Após esse episódio delicado, Poiret decidiu fundar sua própria maison, simples assim!

 

Vera Fokina e Michael Fokin com figurino de Leon Bakst para Le Ballet Russes, 1910

Figurino de Paul Poiret, 1911,  criado para a festa “The Thousand and Second Night”. (A milésima segunda noite). Nessa festa foi oferecido pelo casal Paul Poiret e Denise Poiret, uma fantasia para cada pessoa que não estivesse vestida à caráter em estilo oriental

 

Poiret usou sua criatividade para libertar o corpo feminino, primeiro das anáguas em 1903 e depois, em 1906, dos espartilhos. Embora muita gente acredite que, Chanel livrou as mulheres do espartilho, Poiret deu o pontapé inicial, juntamente com Madeleine Vionnet e Lucile. Obviamente Coco Chanel contribuiu e muito para a liberdade e simplicidade das novas formas e maneiras da mulher se vestir no século XX, inquestionável, como veremos mais à seguir.

Poiret, 1910, vestido de seda

 

Poiret, casaco para ópera 1910-1911

 

Em 1913, o costureiro e sua esposa fizeram sua primeira viagem à América, nessa ocasião, Denise levou mais de 100 modelos criados por seu marido e serviu-lhe de modelo para desfilar suas criações. 
Fascinado pelo orientalismo, como já percebemos, Poiret utilizava-se do tema com frequência em suas criações e duas peças se tornaram icônicas: a calça harém e a túnica abajur. 

          

1. calça harém, estilo às usadas no norte da África, 1920
2. Túnica abajur
Após seu tour pelo mundo, explode a primeira a Primeira Guerra Mundial em que serviu como alfaiate militar.  Ao retomar os negócios, Poiret teve dificuldades em se adaptar ao modernismo, à nova estética art déco. Suas criações eram luxuosas e cheias de ornamentos, uma linguagem muito diferente da sua, na qual as linhas retas, novas formas mais simplificadas, mais funcionais e menos teatrais, não se adequaram ao seu pensamento criativo. Sua popularidade foi caindo ao longo da década de 20 e então, resolveu fechar definitivamente sua maison em 1929. Talvez uma sábia decisão, porque esse ano o mundo entraria em recessão com a quebra da bolsa...
 
Coco Chanel (1883-1971)
Como falar de Chanel, sem se repetir? A estilista que democratizou a elegância com seu pretinho básico, pretinho esse que fica bem em qualquer pessoa e por isso, somos eternamente gratas! Merci Chanel! Popularizou o uso da bijuteria e tornou o bronzeado chique. Essas são algumas das inovações de Gabrielle, uma visionária em seu tempo. Seu estilo de linhas retas, sem cintura marcada, corpo livre ia de encontro à nova era modernista e o art déco, linhas retas e funcionalidade. Afinal, as roupas deveriam ser práticas para a nova mulher da década de 20.

 

Chanel em 1936, com suas famosas pérolas, verdadeiras ou não.

 

Chanel veio de uma infância humilde, era filha de uma lavadeira e um pai ambulante muito ausente que abandonou a família. Sua mãe morreu de asma em um inverno rigoroso e Coco foi colocada em um orfanato aos doze anos. Lá aprendeu a costurar, ensinada por freiras e membros da sua família que, por vezes, a visitou. Como tinha vergonha do seu passado, inventava muitas histórias sobre sua infância. E, segundo alguns historiadores, nenhuma delas batia, mas à certa altura, ninguém ousava questionar Coco Chanel . 

Chanel na abertura de sua primeira loja

 

Seu primeiro relacionamento que se tem informações foi com o oficial Etienne Balsan, filho de prósperos industriais do setor têxtil. Logo Chanel foi morar com ele (um absurdo  e uma ousadia para a época). A futura estilista tinha horror às roupas excessivamente enfeitadas da época, plumas, babados e rendas que ornamentavam o guarda-roupa feminino, muitas vezes ia ao armário do namorado para pegar emprestada alguma peça de roupa. Isso por si só já mostra o estilo avant-garde da jovem para a época. 

 

"Adornment, what a science! Beauty, what a weapon! Modesty, what elegance!"

 

Em um de seus pretinhos básicos, muito elegante em 1937
Coco, como ficou conhecida, ansiava por sua independência, mas o oficial não aceitava que ela trabalhasse, então, conheceu um jovem inglês que a apoiou e não hesitou: apenas deixou um bilhete para o oficial Etienne e mudou-se para Paris com seu novo namorado. Em seu pequeno estúdio iniciou seus negócios: confeccionava e vendia canotiers, pequenos chapéus de palha. Com seu talento aliado à boa prática do boca a boca, conseguiu uma página inteira da influente revista Les Modes e em 1911 abre sua primeira loja no número 31 da rue Cambon. Icônico endereço usado até hoje pela grife. 

“simplicity is the keynote of all true elegance”

Uma versão atual do canotier (hoje com a logomarca objeto de desejo de inúmeras mulheres)

 

Dos Chapéus para as roupas foi um passo natural: Chanel falaria mais tarde que ao criar seu tailleur de tweed, transformara a indumentária masculina em clássicos da moda feminina. 
Além das inovações citadas acima, cortou seus cabelos curtos, o famoso corte chanel que entra e sai de moda (ela odiaria esse colocação), subiu as saias, lançou o perfume mais famoso de sua marca, o Chanel nº 5, vivenciou duas grandes Guerras Mundiais (apontada por alguns historiadores como colaboracionista do nazismo), teve diversos amantes e construiu um império que perpetua até hoje como sinônimo de elegância e sofisticação. 
 

"'Where should one use perfume?' a young woman asked. 'Wherever one wants to be kissed,' I said." 

Foto tirada na sua suíte do hotel Ritz para a Harper's Bazaar, em 1937, para promover o lançamento do perfume Chanel nº 5. Primeira vez que ela mesma promoveu sua marca.
© Photo François Kollar © Ministère de la Culture - France

 

A Segunda Guerra encerrou em 1945, mas Chanel reabriu suas lojas apenas em 1953, e desde então, trabalhou todos os dias, durante 8 horas até o ano da sua morte, 1971. Morreu em um domingo, dia da semana que detestava e que dizia ser o único que não criava nada. 

 

“The most courageous act is still to think for yourself. Aloud”.

 

***

Essas são algumas curiosidades sobre grandes nomes da moda (parte 1). Para uma leitura mais aprofundada, seguem algumas dicas de livros: 

 

King of Fashion: The Autobiography of Paul Poiret, autobiografia, 1931
A Era Chanel | Editora Cosac & Naify
Sleeping with the Enemy: Coco Chanel's Secret War, Editora Vintage Books

 

Alguns Filmes:

 

Coco antes de Chanel
Coco Chanel & Igor Stravinsky 

 

Referências: 
  • FOGGIE, Marnie. Tudo sobre Moda. Editora Geral: Marnie Foggie; tradução Débora Chaves, Fernanda Abreu, Igor Korytowiski - Rio de Janeiro, Sextante, 2013.
  • MET (Metropolitam Museum of Art)

 

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Um pensamento em " Alguns dos grandes nomes da Moda - Parte 1 "

  1. avatar Fabiolla Loureiro diz:

    Ainda bem que a Chanel veio para revolucionar a moda e a maneira de viver das mulheres e tirou a noção ridícula que preto é somente para luto. Blessed Chanel!

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