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Moda + história = minha paixão

Nesse segundo artigo, vou contar um pouco mais sobre minhas inspirações e como elas se transformam em coleção. 
Mulheres americanas na construção de uma avião para o esforço de guerra
 
Mulheres na Guerra foi criada com inspiração em heroínas de uma outra era, de um passado não muito distante, mulheres que sobreviveram a tempos extremamente difíceis, escassos, tristes e sombrios. O foco das referências é mais especificamente a Segunda Guerra Mundial, que foi um divisor de águas, no qual as mulheres efetivamente se emanciparam, porque muitas não “deveriam” trabalhar, essa função era dos homens e, com a ausência deles no desenrolar da guerra, tiveram que assumir funções tradicionalmente masculinas como: limpadoras de trem, condutoras de ônibus, policiais voluntárias, enfermeiras. Inclusive trabalhos pesados e perigosos em fábricas, principalmente na indústria bélica que estava a todo vapor.  Além de assumirem esses papéis masculinos, as mulheres começaram a participar ativamente no exército, não somente como enfermeiras, responsáveis pela parte administrativa, mas como engenheiras e até piloto de avião. 
 Afrodescendentes americanas trabalhando na solda de um avião. Foto arquivo San Francisco State University

       

Mulher soldando avião, 1943 USA  

 

piloto feminina

 

Ter uma rotina de trabalho era um privilégio, pois assim era possível ter algum sustento para si e sua família. As que não puderam trabalhar por algum motivo, tinham que se contentar com os cupons de racionamento, administrar os filhos e a absoluta escassez. Mas até nessas horas as mulheres se viram, remendam, refazem, reusam. E se ajudam.
 
meia-calça ficou escassa porque foi  direcionada para a indústria bélica, para confecção de pára-quedas. Como era deselegante sair com as pernas “desnudas” nessa época, as mulheres improvisaram usando carvão, para simular a costura traseira da meia-calça. 

 

Minha pesquisa incluiu muita leitura, filmes, documentário e séries ambientadas nesse período, gosto de fazer uma imersão no assunto, porque só assim é possível traduzir um conceito com essência, não somente uma roupa, mas uma peça com conteúdo, história e propósito. 
Tentei traduzir o estudo sobre esse período em detalhes da coleção, como cores, escolha dos tecidos e alguns detalhes como capuzes ou a versatilidade de algumas peças. Os modelos combinam entre si, uma característica da marca, prolongando o uso da peça no guarda-roupa. Naquela época, era comum possuir duas trocas de roupas, “roupas de sair”, e estas deveriam combinar entre si. Artigos como cortinas e roupas de cama, para quem tinha habilidades, podiam virar uma nova roupa. 
Não estamos em tempos de guerra, mas as lições devem ser aprendidas e a história nunca esquecida. Nós mulheres somos boas em aprender e fazer o que for preciso para viver em paz. Yes, we can do it
Rosie, a rebitadeira, personagem criado pela propaganda americana

 

Rosie, the riveter (a rebitadeira), o cartaz símbolo do feminismo muito usado na década de 70 tem sua origem bem mais antiga. Originalmente o cartaz foi criado em 1942, pelo artista  J. Howard Miller, encomendado pela propaganda americana com o objetivo de incentivar as mulheres a trabalharem no esforço de guerra. Representa as trabalhadoras  dos estaleiros e fábricas, produzindo armas, munições e suprimentos em substituição dos homens. Esse cartaz já inspirou muitas mulheres desde que foi criado, assim como eu para criar essa coleção.
Coloco a seguir algumas das heroínas que prestei homenagem ao nomear minhas peças:

       

                                       Haika Grossman                                                      Nancy Wake
Top Haika – homenagem à Haika Grossman, Israelita de origem polonesa que se tornou líder da resistência judaica em Bialystok e Vilna durante a Segunda Guerra Mundial. Chegando de volta a Bialystok no início de 1942, Grossman tornou-se o líder da pequena e entusiástica organização judaica subterrânea de Bialystok, a célula "Antifascista Bialystok". Em muitas ocasiões, ela se ofereceu para missões perigosas de mensageiros em guetos de outras cidades, para coletar informações, ajudar a levantar o moral e trazer armas preciosas e outros suprimentos militares.
Saia Nancy – Referente à Nancy Wake, espiã australiana conhecida como rato branco e “indetectável”. O seu trabalho consistia em organizar redes de fuga e danificar as instalações alemãs.  Foi uma das mulheres mais procuradas pela Gestapo, felizmente não foi pega e morreu aos 99 anos.
A liberdade é a única coisa pela qual vale a pena viver. Enquanto fazia este trabalho, costumava pensar que não me importava se morresse, porque sem liberdade viver é inútil”  -                                                                                                                                                Nancy Wake

 

Top Haika e Saia Nancy ((link para top e saia))

 

Top Haika

 

                          Top Haika e saia Jacqueline (links)
Casaqueto Lamarr – Hedy Lamarr criou junto com o compositor e também inventor George Antheil um sofisticado aparelho de interferência em rádio para despistar radares nazistas, cuja patente foi feita em 1940 usando seu nome de registro (Hedwig Eva Maria Kiesler). A ideia surgiu quando a dupla estava fazendo um dueto ao piano e começaram a “conversar” entre si alterando os controles do instrumento. Ou seja, Lamarr descobriu que, se o emissor e o receptor mudassem constantemente de frequência, somente os dois poderiam se comunicar sem medo de serem interceptados pelo inimigo. Além de uma estrela de cinema, Lamarr tinha muitos conhecimentos em tecnologia, uma avanço feminino para a época.
Calça Danuta – Danuta Maczka vivia na Polônia, de onde foi retirada e enviada aos campos de trabalho forçado na Sibéria, passando por outros países como para o Irã, Palestina, até finalmente conseguir chegar à Inglaterra. 

             

                                        Hedy Lamarr                                                                      Danuta Maczka

             

                                           Casaqueto Lamarr + calça Danuta ((link para  casaqueto e calça))

 

Vestido Marlenereferência à Marlene Dietrich. Durante a Segunda Guerra Mundial, Marlene foi ao encontro das tropas aliadas, onde cantava para divertir e aliviar a dor dos soldados. Condecorada com medalha após a guerra, Marlene descobriu um dom que poderia explorar: sua voz. Em 1939, ela tornou-se uma cidadã americana e renunciou à sua cidadania alemã. Em dezembro de 1941, os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, e Dietrich tornou-se uma das primeiras celebridades a angariar bônus de guerra. Era uma feroz antinazista.

             

                Marlene em cena de Angel                                                            Marlene com soldados americanos     

       

                                                             

          

          

Vestido Marlene (links)

Saia longa SophieSophia Magdalena Scholl, conhecida como Sophie Scholl, era membro da Rosa Branca, movimento da resistência alemã antinazista. Foi condenada por traição e executada na guilhotina. É conhecida como uma das poucas alemãs que se opuseram ativamente ao Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial e é também reconhecida como uma mártir.
                                                                                          
                                                                                    Sophie em 1942
            
       Top Haika e Saia Sophie  (link para a saia)

 

Vestido FreddieFreddie Oversteegen lutou na resistência holandesa e ficou conhecida por seduzir nazistas em bares e depois assassiná-los. Tinha 14 anos quando se uniu aos grupos de resistência contra o nazismo e deu os primeiros passos na célula feminista mais famosa da Holanda. Considerada um símbolo de heroísmo do período da Segunda Guerra Mundial, morreu aos 92 anos.
              
                                           Freddie tinha apenas 14 anos quando se juntou à resistência holandesa 

 

              Vestido Freddie (link para o vestido)

           

Essas são algumas das mulheres que foram minhas inspirações para que eu pudesse criar cada peça da coleção. Se quiser saber a história de alguma outra heroína que não esteja neste artigo, fique à vontade para me escrever! Será um prazer contar um pouco mais sobre elas! 
Para entender mais: 
https://www.youtube.com/watch?v=fZzFOJYA3D4
Referências e livros que recomendo:
Quétel, Claude. As Mulheres na Guerra - volumes I e II. 1ª Edição Brasileira, São Paulo: Editora Larousse, 2009
Dirix, Emmanuelle e Fiell, Charlotte. A moda da década de 1940 - Um panorama completo e ilustrado da indumentária e da beleza sob o impacto da Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Publifolha, 2014.

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