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MODA: ser ou estar?

No final do século XIX, a moda começou a se popularizar por conta da Revolução Industrial, que possibilitou a produção de roupas através de máquinas de costuras antes feitas manualmente. A Revolução permitiu que mulheres de classes mais baixas adquirissem esse item valioso (nos EUA com muito mais facilidade porque havia um sistema de parcelamento atrativo) e fazer roupas para si ou aceitar encomendas de fora, conseguindo uma renda extra para ajudar no orçamento familiar. Surgiu então, a necessidade da mulher “estar na moda”, essencialmente para diminuir as diferenças sociais entre as classes e, possibilitar que mulheres de origens mais simples, pudessem participar de alguma forma da vida social, culturalmente efervescente no final deste século. 

Modelo de máquina de costura, 1889.
Com a aquisição das máquinas de costura, muitas mulheres conseguiram vestir-se de maneira semelhante como suas patroas, mas alguns itens indispensáveis da mulher elegante na virada do século XIX para o XX, como luvas chapéus e sombrinhas, além das divergência na qualidade dos tecidos das roupas produzidas em casa, apontavam as diferenças entre as classes sociais, mas isso não diminuía o desejo das mulheres de usarem a nova moda.
Alguns itens eram obrigatórios, como por exemplo os espartilhos que esmagavam a cintura. Conhecida como silhueta em S que, inclusive, prejudicava a saúde, foi muito popular na segunda metade do século XIX, mesmo extremamente desconfortável. Mas o que algumas mulheres não fazem para estarem na moda?

Silhueta em S, uma moda "esmagadora"
Desde então, muitos itens foram produzidos e, por diferentes razões, se destacaram na moda, virando objeto de desejo de muitas mulheres. Estar na moda, por muitos anos foi sinônimo de ser aceita em seu grupo social ou alcançar um status maior que seu grupo. 
Após anos de “prisão” do espartilho, Mariano Fortuny lança seu vestido Delphos (1912),  longo solto e permitiu a silhueta livre. Fortuny era artista e figurinista de teatro, desenvolveu uma técnica para criar pregas permanentes (plissado) em seda, tornando-se um ícone do estilo boêmio e ainda hoje, suas peças são itens de colecionador. Quem leu ou assistiu “O tempo entre costuras” certamente se lembra do episódio que a personagem de Adriana Ugarte recria ou “copia” usando uma técnica própria, o plissado de Fortuny.

Vestido Delphos, Mariano Fortuny, Victoria and Albert Museum
Outro item indispensável que despontou nos “Anos loucos” foi o chapéu cloche, que fazia  dupla com o cabelo curto, o estilo à la garçonne, (era o retrato de uma jovem independente, mas infantil, com  aparência de garoto, combinava características como fragilidade feminina e independência masculina) para muitas era um ato político, que se adequava à nova era, mostrava o avanço da mulher, capaz de assumir novos papéis e responsabilidades, porém, para outras era apenas a última moda, um corte de cabelo revolucionário que era perfeito para cloche, usado bem rente aos olhos, tornou-se um símbolo dos anos 20.

Chapéu Cloche, Imagem para Vogue, 1923
Cloche, uma epidemia nos anos 20!

 

   
 Essa imagem mostra bem como o chapéu ficava rente aos olhos.
Little Black Dress - Coco Chanel
A cor preta era usada para ocasiões de luto até Chanel popularizar seu pretinho básico. Transformou a cor em elegância e poder, nos sentimos imediatamente confortáveis em um traje todo preto. Em 1926, a estilista virou notícia e a revista Vogue americana chamou sua nova invenção de “O Ford de Chanel - o vestido que todas vão usar”. Obrigada Chanel!

Famoso LBD, Little black dress, Chanel, 1926. 
A moda vai e vém e então no pós guerra, os estilistas puderam voltar a trabalhar com o excesso de tecido, o exagero das camadas e então o estilo New Look é lançado por Christian Dior, a cintura volta a ser marcada e a saia bem rodada, esse estilo permaneceu forte durante toda a década de 50, representava perfeitamente o ideal de elegância e feminilidade. Apesar de ter sido um modelo que definiu fortemente o final da década de 40 e a de 50, ainda é bastante usado em eventos formais, nos quais vestidos exclusivos feitos pelas grandes maisons haute couture são usados por grandes celebridades em red carpets.

New Look, Christian Dior, 1947

“A silhueta  feminina curvilínea de Dior  lembrava a crinolina do século XIX e reviveu técnicas complexas antes empregadas na alta-costura. Para alguns, a coleção representou uma lufada de ar fresco; para outros um desperdício de tecido em tempos de racionamento e austeridade”

Cally Blackman - 100 anos de moda

Dior, 1955

 

Kirsten  Dunst, cerimônia do Oscar, 2017
Ellen Fanning em Dior, releitura do New Look de 1947, Festival de Cannes, 2019

 

Da femilidade exaltada à rebeldia; em apenas uma década a saia subiu e muito! O comprimento das saias midis dos anos 50 subiram muitos centímetros acima do joelho e tornaram-se a minissaia, usada até hoje. Sinônimo de liberdade absoluta da mulher, a minissaia também expressa bastante feminilidade deixando o look sexy, apesar de nos anos 60 ainda passar uma impressão angelical por Twiggy, com seu novo padrão de beleza, sem curvas, boyish. Década de muitas conquistas para as mulheres e isso fazem apenas 60 anos! 

Cabelos exagerados muito elaborados, maquiagens acentuadas, principalmente nos olhos e minissaia, muita minissaia! 

Twiggy e o novo padrão de beleza
E nessa mesma década, para contradizer todas as tradições, Yves Saint Laurent lança seu famoso smoking feminino que ficou eternizado na incrível foto de Helmut Newton. Apesar de ter sido uma moda que marcou e “permitiu” que as mulheres usassem trajes masculinos, Marlene Dietrich já usava costumes e ternos na década de 30. Essa hoje é uma das principais opções para as mulheres que trabalham no mundo corporativo, prático, elegante, evoca poder, profissionalismo e “aproxima” as mulheres em igualdade perante seus colegas de trabalho. Na minha opinião, a mulher deve usar o que ela quer, desde que seja apropriado ao ambiente de trabalho e a valorize, não o contrário.

Yves Saint Laurent smoking, 1966, icônica foto de Helmut Newton
Marlene Dietrich em 1933, pura ousadia

 

Eva Herzigova no desfile de Yves Saint Laurent, 2002

Yves Saint Laurent, 2019
Moda é efêmera, mas algumas tendências foram lançadas e vieram para ficar. Moda é estado de espírito, tecnologia e revolução. E você? Prefere estar na moda ou fazer moda? Já dizia Coco Chanel: “I don’t do fashion, I’m fashion”. 
 
Referências:
 
BLACKMAN, Cally; 100 anos de moda. A história da indumentária e do estilo do século XX, dos grandes nomes da alta costura ao prêt-à-porter. 1a. edição. São Paulo: Publifolha, 2012.
 
Para curtir e aprender: 
O tempo entre costuras, série baseada no livro de Maria Dueñas (ambos muito bons!)



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