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Moda - uma constante transformação

Você já parou para pensar que nada ou quase nada é estático? Que tudo se transforma? Que a cada dia que passa, você se transforma? Seja física, mental ou emocionalmente? A natureza se transforma, os animais, os alimentos, os lugares, o tempo transforma. Portanto, as roupas também. Não só mudam por conta de períodos, tendências e tecnologias, mas uma roupa carrega história e, portanto, se transforma. 
A moda como existe hoje, diversificada, plural, cheia de atitude e principalmente liberdade, existe há bem pouco tempo. Gosto sempre de exemplificar para entendermos o grau de transformação que quero destacar. Por exemplo: as saias e vestidos já sofreram inúmeras mudanças, mas o mais interessante é, que por mais liberdade que temos hoje, podemos ver modelos semelhantes usados há séculos passados nas passarelas atualmente.

Maria Antonieta em trajes de corte. retrato de Elisabeth Vigée-Le Brun, 1779 Detalhe interessante apenas à título de curiosidade: esse retrato foi pintado por uma mulher, reconhecida como a pintora mais famosa do século XVIII e retratista oficial de Maria Antonieta. Impensável para a época.
O retrato acima mostra Maria Antonieta usando uma pannier, estrutura feita de barbatana de baleia para armar os vestidos, quanto mais larga, maior era o indicativo da nobreza. A peça surgiu no século XVII e foi usada até meados 1870, em alguns períodos. Também conhecida como anquinha (tradução literal: cestas). O nome se dá em referência às cestas que eram carregadas uma de cada lado pelos animais de carga. Um nome um tanto quanto questionável…
 
Balenciaga PFW2020
Desfile Balenciaga PFW2020 - volta do volume exagerado usado há séculos atrás
A proporção da riqueza de detalhes das roupas é igualmente proporcional ao absurdo desconforto em que as mulheres eram submetidas. Imagine-se usando uma armadura coberta de uma grande cortina, cheia de babados, laços e outros detalhes, um tanto quanto sufocantes que te impossibilitava até de sentar? Ao menos fisicamente era assim que elas deveriam se sentir. 

Pannier, 1750-80, Inglaterra
 Da Pannier à crinolina
Outra modelo de saia usada em um período mais adiante, a crinolina era uma espécie de saiote, composto por aros de aço leve e flexível mantidos por fitas, possibilitado um volume maior das saias e “conforto” ao caminhar. Uma verdadeira engenhoca.

Evolução da crinolina

Crinolina em aço, 1860
Existia um processo de fabricação do aço (era feita uma remoção das impurezas do ferro via oxidação com ar soprado através do ferro fundido) que gerava armações mais leves, possibilitando a movimentação com mais leveza e conforto. Em 1859, a empresa Sheffield produziu arames de aço suficientes para meio milhão de crinolinas por semana, tornando os preços mais acessíveis para mulheres de todas as classes sociais. A última moda!
Menor, mas não mais confortável
A anquinha era uma roupa de baixo à parte, uma estrutura menor que a crinolina e a crinolette, concentrou o volume na parte detrás da saia, abaixo da cintura, uma armação de arame, recheada com penugens, presa com fitas. Menor, mas ainda assim incômoda.

Tipos de anquinhas

 

Diferentes anquinhas
 
Depois das incômodas armaduras, a velocidade do século XX
No início do século XX, Paul Poiret liberta as mulheres dos espartilhos (embora muitos ainda acreditem ter sido Coco Chanel a precursora desse feito) e lança a saia funil. Longa, sem armações, mais ajustada ao corpo, limitando as passadas largas.

“Saia-funil: o que é? É a saia com limite de velocidade!” 
legenda de um cartão postal humorístico, 1911

 

Do limite de velocidade da saia funil à liberdade “total” dos anos loucos. No entre guerras, as mulheres ganharam direito ao voto, encurtaram as saias, a cintura pôde finalmente ficar livre das marcações e espartilhos, maquiar-se, beber e fumar tornaram-se aceitáveis para as mulheres. Transformações muito bem-vindas, obrigada.

                     

A visionária Chanel 
Saias encurtadas, cintura desabada, ternos (o eterno tailleur Chanel) conjuntos de saia  blusa e as pérolas falsas: ela tornou o uso da bijuteria algo possível e aceitável. Simplificou as formas e remodelou a maneira feminina de se vestir, roupas para o dia a dia, para a prática de esportes, calças confortáveis, possibilitando a emancipação da mulher de forma mais confortável, um incentivo para o ingresso da mulher ao mercado de trabalho.
Na minha opinião, o século XX foi o século das transformações e do ápice da criatividade. Mudanças em todos os aspectos aconteceram no mundo e consequentemente, (finalmente) para as mulheres. Mudanças tecnológicas e comportamentais se destacam hoje. Essas mudanças significativas causaram inúmeros excessos, que hoje nos levam a tomar novas atitudes para mais transformações.  Já te disseram que a vida é um ciclo? A moda também.

 

Como traduzo a transformação em minhas peças
Pensando nisso e tendo como essência a mudança e versatilidade, a A.tu.ação transformou-se em Polyanna Loureiro, a marca agora leva meu nome, mas permanece com sua essência atemporal e versátil.  
Senti a necessidade da transparência inclusive na identidade da marca, quero que as clientes saibam quem é a pessoa que cria o que elas usam. Acho importante essa proximidade e faz parte da característica da consumidora de hoje, as clientes querem entender o que elas compram e de quem.
 A transformação faz parte do ser humano e procuro traduzir isso em minhas peças evidenciando a versatilidade como ponto chave. Proponho o uso da mesma peça de formas diferentes, modelos mudam com apenas um botão, um zíper ou um lenço que se destaca. Também aproveito sobras e restos de tecidos para a confecção de acessórios. A tag se transforma em flores ou hortaliças e utilizo e transformo algodão cru (matéria-prima voltada para a confecção das primeiras modelagens) em minhas embalagens: ecobags.

 

Top Nathalia, pode ser usado de mais de 3 formas diferentes, basta ter criatividade!

Clutch Ekaterina confeccionada com sobras de tecidos

 

 Clutch Brigitte confeccionada com sobras de tecidos

 

Sobras que se transformam em echarpes (Ulyana)

 

Pequenos passos para grandes transformações. E você, qual mudança disposta a fazer? 
Se você chegou até aqui, quero agradecer por ler e acompanhar meu blog! Entre em contato e faça uma pergunta! Quer sugerir um tema? Vou adorar falar sobre diferentes assuntos com vocês!
 
Referências:
CRANE, Diane. A moda e seu papel social: Classe, gênero e identidade das roupas - São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006.
ANTONIETA, Maria et MCQUEEN, Alexander/ NJ Stevenson; Cronologia de Moda. tradução Maria Luiza X. de A. Borges - Rio de Janeiro. Editora Zahar, 2012 

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